Olha, faz um calor infernal nesta cidade. É inverno, mas o frio só chega à tardezinha, perto do anoitecer.
Eu não consigo ter foco no trabalho; Está pior a cada dia.
Os papéis formam montanhas sobre a minha mesa, as pessoas que chegam mal conseguem me enxergar aqui do outro lado. Um dia desses acordei e percebi que aqui não é o meu lugar - Pelo menos não é aonde eu gostaria de estar. Mas tudo bem, a gente vai levando como pode.
Eu queria ter a coragem que Ícaro teve ao pegar suas asas de cera e voar rumo ao Sol; mesmo que despencasse em seguida. E quem sabe a morte seria apenas um (re)começo de tudo isso que tento deixar para trás.
Eu tento dar nome àquilo que sinto, porque aprendí que tudo tem um nome. Engano, talvez...
Mas o que sinto é algo como eu ser uma criança pequena tentando alcaçar algo que está lá no topo da estante da sala. Eu ergo meu pézinhos para alcaçar, mas mesmo assim ainda está distante. Então, só quando eu crescer conseguirei alcaçar o topo da estante e pegar o que quero.
E olha que não falo de amor. Estou falando desta luta contra eu mesma, de querer estar em outro lugar desse mundo.
Mas quando o dia terminar e eu encostar minha cabeça no travesseiro para descansar, vou pensar em algo; Talvez eu construa uma nave espacial...
Você me perguntou se eu acreditava que existem só nós, seres "humanos" nesta imensidão de Mundo. E talvez não haja. Como no filme "O dia em que a Terra parou"; que os alienígenas vêm para tomar o Planeta dos humanos, por estarem acabando com este.
Eles podiam me levar para o mundo deles.... podiam.
Katty

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