quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Estou cansada... cansada desta cidade e do ar seco ao redor, cansada de mim, dos outros. Tento ainda me concentrar em algo bom, que me deixe leve; mas cá entre nós - não tem funcionado muito bem. A cabeça cheia; excessos de medo, tanta coisa turva - uma hora vai explodir!

Envelheci um pouco mais neste final de semana; as coisas por si já não estavam indo bem, você não tinha o direito de endurece-las ainda. Cheguei - algumas vezes, a comentar sobre meu desgosto em relação ao modo como as coisas estavam fluindo. E quando as coisas, as situações - chegam ao ponto te ter que pensar em uma saída, é porque na verdade já não há saída. Não tenho culpa, eu tentei. Foi você que desceu do bonde e me deixou sozinha no meio do caminho!
Mas fora isso, você foi belo quase todo o tempo em que ficamos juntos - e quando digo "quase todo o tempo", é porque a distância só nos permitia isso: o quase sempre. Nossos corpos juntos tinham uma ar de comunhão perfeita, e brilhavam, e brilhávamos. Não me lembro exactamente o momento em que você começou a se distanciar do meu campo de visão; as pessoas se perdem uma da outra com tanta facilidade - e eu nem notei o quanto se distanciava mais, e mais, a cada dia. Ou notei e não quis enxergar - ou enxerguei e não quis te avisar... Mas tudo bem, sem traumas; já me acostumei com as despedidas. Nós, seres humanos, somos assim - vamos vivendo e deixando muita coisa pra depois como se o "depois" fosse existir para sempre. Tolice, eu diria!
Morro um pouco a cada partida e resto-me assim - coisa rala; cabeça confusa; olheiras em função das noites em claro que passo escrevendo. Porque escrever é meu remédio, meu refúgio.

Mas se um dia você quiser voltar, deixo porta e janelas abertas. O coração tranquilo e nenhuma, nenhuma mágoa. Não posso nutrir nenhum desses sentimentos raivosos por você.
Não sei dizer até que ponto foi minha ou sua culpa; se é que existe algum tipo de culpa nisso tudo, nesses sentimentos, nesses dias vazios. Eu nunca entendo o que acontece por de trás do que não entendo. É tudo tão complexo que prefiro parar de procurar respostas - porque, talvez nem haja resposta - e no final sempre reticencia, nunca um ponto...

Me ocorreu agora, o por quê de eu sempre te escrever e nunca mandar diretamente para você. É tudo tão indiretamente direto - ou - diretamente indireto, é tudo tão seu; tem seu nome pelas entrelinhas de cada texto, cada frase que escrevo.
Às vezes, quando chega à noite e eu volto pra casa - cabeça cansada, o corpo exausto - lembro de mim sentada no banco do metro toda concentrada  indo ao teu encontro. Nem o MP3 eu ligava para não desviar meus pensamentos de você, mas sempre havia uma trilha sonora em minha mente. E volto pra casa hoje, com todas essa lembranças boas - foi só o que restou - e de repente me vêm à mente uma frase de Caio: "Sossega... sossega, amor não é pro teu bico". Então tento apagar - como se minha mente fosse uma lousa - tento apagar tudo da memória. Impossível!
Depois de tudo, nada...



Katty

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