São em tardes como esta, de quase Julho, quase Inverno – o Sol não deixa de brilhar, mas o frio não quer cessar. É um pouco como a minha espera, minha fome, minha sede.
É então, em tardes como esta em que deixo o trabalho de lado um pouco e começo a espiar a vida do lado de fora da janela; os prédios, os carros, as gentes, as árvores balançando com o vento; sempre tão iguais. E penso em tanta, tanta coisa; algumas bobagens, lembranças, vontades, obrigações, penso no que eu tenho que suportar todos os dias, da rotina que me cansa e os dias que me devoram e me fazem mais velha e menos humana. Penso em muitas coisas.
Sabe, ando me sentindo meio sei lá, é estranho, não tem definição. Queria que o mundo fosse um caderno de desenho em que eu pudesse apagar o que não agrada. Logo eu desenharia um céu sempre azul, com nuvens branquinhas e pessoas sorrindo, sempre. Eu queria ter esse poder, ter o poder da doçura de uma criança que só enxerga o que a vida tem de bom a lhe oferecer. Ser adulto cansa, é desgastante, desgostoso. Queria mudar de vida, de cidade. Não ria de mim. Só queria encontrar algum conforto no meio dessa confusão toda.
Penso que estou ficando velha demais para a agitação dessa cidade.
Queria que alguém pudesse segurar a minha mão e me dissesse para eu não me preocupar.
Katty
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