Já é noite, noite fria e quase não há estrelas no céu. Me revirei lado a lado da cama, não consigo dormir. São tantas perguntas; grandes pontos de interrogação sem nenhuma respota.
Então por quê continuar? - me pergunto. Por beijos, abraços, um corpo a se enroscar no meu? É tortura; isso é uma loucura. Então por quê, meu Deus, continuar?
Essas coisas assim, meio vagas, sem um porto, um ponto de partida meio e fim - eu, você, eles - podemos encontrar em qualquer esquina; e nem é necessário procurar muito.
Mas sabe, eu cansei de te inventar. Droga! Quase nunca - ou nunca mesmo - você se faz presente. E é nestas tuas ausências que saio poraí e me encho de tantas outras coisas. Para na ilusão de - quem sabe, preencher esse vazio tão cheio da tua ausência.
Eu, particularmente, não gosto de vazios e das sensações que ele causa. Tem - não necessariamente - que ser perturbador.
Talvez - pensei - e me desculpe se estou sendo injusta - tenho um grande afeto pela sua pessoa, e não quero deixar nada bagunçado. Pensei que talvez eu esteja dedicando meus dias à coisa errada. É... pode ser tudo minha culpa; posso ter apostado as fichas erradas e deu nisso. Eu poderia me trancar em algum lugar e escrever, escrever pela vida inteira, até meus dedos sangrarem. Mas eu peco; e meu único pecado é o de sentir, o de continuar a sentir, o de não desistir de sentir. E alimento este vício como quem alimenta peixes em áquarios. E me firo, e firo; mas não deixo nunca essa coisa morrer. Apesar de todas as marcas - porque cada um que passa em nossas vidas e não ficam, deixam sua marca. É uma pequena abertura, como uma ferida. E antes que a ferida comece a tomar espaço, é melhor desistir de tudo antes que se transforme em um grande e imenso buraco negro.
Então, por quê continuar?
Nas esquinas da Rua Augusta você pode encontrar uma - várias - dessas adolescentes com um grande "nada" na cabeça. E não precisando de muito esforço, umas cinco ou dez você consiga levar pra cama. Isso tem em qualquer lugar! Difícil mesmo é econtrar alguém que pense e que te faça pensar. Não dói, mas pesa ter personalidade e não se deixar levar pelos "embalos de sábado a noite", compreende?
Olha, meus dedos já estão doendo; meus olhos começam a pesar querendo incontrolavelmente serem fechados para descansar. Estou um caco! Essa rotina de trabalho e faculdade não me deixam muito tempo para descansar. Até gosto, como já disse, as coisas em nossas vidas têm que ser pertubadoras. Se passam desapercebido é porque não valera à pena.
Então, faça você o que achar melhor. Continue aí distante; assim calado, vendo tudo escorrer como água imunda de boeiro. Achando um terror viver e pensando que nada tem solução.
Continue assim a se perder, a me perder - um pouco mais a cada dia - deixando tudo pra depois - e quem sabe, um dia, pra sempre!
Katty

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